Com o tempo, paciência e uma pequena ajuda do ginásio, aprendemos que existe sempre uma nova chance, existe sempre um novo sopro que anima o coração, há sempre uma nova vida mesmo aqui ao virar da esquina feita à nossa medida. A ferida está lá, agora protegida por novas camadas de pele cicatrizante. Não dói nem vai doer para sempre, mas estará para sempre tatuada. Há de aprender também a viver com as nossas cicatrizes.
Assim como quando sepultamos alguém de quem gostamos muito, a dor acalma, torna-se mais leve, falamos já dela com um sorriso malandro e auto-julgamos a nossa parvoeira. E a tatuagem continua lá, defenida por debaixo das camadas da auto-estima com que a cobrimos, mas aprendemos que somos feitos e programados de antemão com a capacidade única de nos reciclármos a cada novo amor; ganhamos de novo estofo, coragem e entusiásmo quando na sombreira da porta aparece uma nova sombra. E é aí que perdemos de novo a auto-estima e nos tornamos, outra vez, as maiores patetas de sempre, acreditamos de novo e criamos uma nova tatuagem.
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